sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade



Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

FELIZ ANO NOVO E O POEMA "PASSAGEM DO ANO" DE DRUMMOND

ANO NOVO e a poesia Consolo na Praia, Drummond (por Maitê Proença)

Feliz Ano Novo e Poema Cidadezinha Qualquer, Drummond,

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AS NARRATIVAS DA MEMÓRIA DE MULHERES NO PROTESTANTISMO DE CAMPINA GRANDE - PARAÍBA


O nosso trabalho tem o objetivo de analisar as representações construídas nas narrativas da memória de duas mulheres idosas que começaram a participar da igreja congregacional entre as décadas de 1930 a 1960 desde a infância ou juventude. Através das entrevistas em que narraram suas vidas para pensarmos as imagens de suas práticas femininas e das outras fossem como “transgressoras” ou “obedientes” das normas congregacionais no âmbito da fé, das relações amorosas, da estética e dos divertimentos. Essas nos possibilitaram melhor conhecermos o espaço das mulheres que questionaram e desrespeitaram os códigos de condutas quebrando as normas elaboradas pela igreja congregacional. Nisso esses traços das memórias femininas congregacionais são pensadas como formas de dizer o mundo, de olhar o real, em discursos que discorrem, descrevem, explicam, interpretam e atribuem significados à realidade.



Para ler o artigo na íntegra e baixar gratitamente, com isso pensando a história do protestantismo a partir de novos sujeitos, problemas e fontes, acesse o seguinte link:http://www.encontro2010.historiaoral.org.br/resources/anais/2/1270392958_ARQUIVO_TRABALHOCOMPLETO-XENCONTRONACIONALDEHISTORIAORAL.pdf.

Cleófas Júnior

AS MULHERES E RELAÇÕES DE GÊNERO NO PROTESTANTISMO: O CASO DA IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CAMPINA GRANDE



O Protestantismo no Brasil foi se constituindo através de vários caminhos, um desses consistiu na comunidade congregacional, estabelecida pelo casal de missionários Robert Reid Kalley e Sarah Pouth Kalley na segunda metade do século XIX na cidade do Rio de Janeiro. Desta comunidade foram formadas outras em diferentes cidades do Brasil, como no começo do século XX na cidade de Campina Grande, que neste ano de 2008 completará 88 anos de fundação como a primeira comunidade protestante da cidade.





O nosso artigo tem o objetivo de analisar o espaço construído para as mulheres no discurso protestante da primeira comunidade congregacional nos anos de 1930 a 1940, pensando também como as mulheres reinventaram esse discurso. Buscando desenvolver essa análise a partir do referencial quanto aos discursos de verdades que produzem um regime de poder que se articula em todas as instituições da nossa sociedade.

O artigo é formado por três partes: na primeira, discutimos o discurso protestante e o feminino na comunidade congregacional no Brasil, através dos missionários fundadores da comunidade Robert e Sarah Kalley. Na segunda parte, analisamos o discurso protestante da comunidade congregacional em Campina Grande em relação ao contexto social da cidade na década de 30 e 40 do século XX, destacando os casos de transgressão e disciplina apresentados nas atas das assembléias da comunidade, pensando como esse discurso do feminino produziu uma ordem disciplinar nas mulheres em sua vivência do sagrado. E na terceira parte, pensamos como as mulheres reinventaram esse discurso de verdade e disciplina sobre o feminino, resultando na produção de outra identidade feminina religiosa.
Para ler o artigo na íntegra e baixar gratuitamente, acesse o link a seguir: http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/view/9301.
Cleófas Júnior

A INSERÇÃO DO DISCURSO PROTESTANTE EM CAMPINA GRANDE (1901-1930): UMA INTRODUÇÃO


Primeiro Templo da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande
A inserção do discurso protestante em Campina Grande consistiu num processo complexo e conflituoso a partir de 1901 com o estabelecimento da primeira comunidade protestante, no caso a comunidade evangélica congregacional. Esse processo foi conflituoso porque é resultante de um projeto informal de evangelização que visava produzir a conversão dos campinenses na busca de um rompimento com os valores da cultura católica no qual detinha o monopólio da cultura histórica religiosa da cidade. Havendo assim neste período a inserção de outro discurso religioso nas malhas do contexto político, econômico e social da cidade, propondo outra identidade religiosa. Torna-se complexa porque dispomos de fragmentos incompletos deixados por nossas poucas fontes documentais para assim pensarmos essa inserção.
Primeira Reforma do Templo da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande

Neste artigo o nosso objetivo é fazer uma análise introdutória da inserção desse discurso protestante em Campina Grande entre 1901 a 1930 no caso da comunidade evangélica congregacional, a partir da perspectiva teórica de cultura histórica religiosa cunhada nas propostas de pensar a cultura e a religião em Raymond Williams, E. P. Thompson e Christopher Hill. No primeiro momento pensamos sobre uma cultura histórica religiosa com a história social inglesa da cultura, quando olhamos na produção de alguns intelectuais memorialistas quanto à religião em Campina Grande. No segundo momento pensamos a inserção do discurso protestante a partir da observação dos fragmentos documentais encontrados até agora como: a produção memorialista sobre a comunidade congregacional em Campina Grande, as pregações de um pastor do período e uma ata das assembléias da comunidade quanto ao seu Regimento Interno, dentro de um contexto de cultura histórica religiosa da cidade.
Para ler o artigo na íntegra e conhecer melhor a história do protestantismo na Paraíba, aesse o seguinte link: http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/textos/ST%2014%20-%20Cle%C3%B3fas%20Lima%20Alves%20de%20Freitas%20J%C3%BAnior%20TC.PDF.
Cleófas Júnior

MEMÓRIAS E CULTURA HISTÓRICA EDUCACIONAL EM CAMPINA GRANDE - PB: UMA INTRODUÇÃO


Primeiro Grupo Escolar de Campina Grande


Em nosso artigo analisamos de forma introdutória a história da educação em Campina Grande a partir das memórias de dois intelectuais memorialistas da cidade em suas representações da educação, pensando-as num contexto de uma cultura histórica educacional.


O presente artigo tem o objetivo de analisar a história da educação em Campina Grande a partir das produções de dois intelectuais memorialistas como em suas obras articularam um saber histórico com representações quanto à educação da cidade, destacando como estes podem ser pensados no contexto de uma cultura histórica educacional de forma introdutória. Os intelectuais são o Elpídio de Almeida em seu livro História de Campina Grande e o Epaminondas Câmara em seus dois livros de memórias: A Evolução do Catolicismo na Paraíba e Os Alicerces De Campina Grande: Esboço Histórico-Social do Povoado-Vila (1697-1864).


O artigo é composto de duas partes: na primeira tratamos das propostas teóricas de pensarmos em cultura histórica educacional, mas num primeiro momento pensamos em cultura histórica numa perspectiva geral a partir das propostas dos estudos culturais ingleses em seu projeto original e assim numa releitura marxista da cultura. Na segunda parte, analisamos as produções dos memorialistas como articuladores de certa cultura histórica educacional de Campina Grande. Por último, pensamos nas limitações do nosso trabalho por ser uma introdução e assim a necessidade de amadurecimento das propostas desenvolvidas durante a análise.


Para ler e baixar gratuitamente o artigo sobre a história da educação na Paraíba, acesse o seguinte link: http://www.revistavoos.com.br/seer/index.php/voos/article/viewArticle/58.


Cleófas Júnior

NO EVANGELHO SOMOS CARTA DE CRISTO - 2 Coríntios 3.1-11




O Evangelho, “carta de Cristo”, “tabuas de pedra” e o Espírito de Deus em “tábuas de carne” (vers. 1-3). O apóstolo Paulo trata com os discípulos da cidade de Corinto de que não necessitava fazer nenhum tipo de apresentação de si através de cartas de recomendação, para que assim fosse aceito por eles em seus atos testemunhais. Paulo argumenta de que os próprios coríntios eram a sua carta de apresentação para todos, em que podiam ler e conhecer como expressão do seu coração. Nisso, reafirma a verdade do Evangelho de que todo discípulo é como “carta de Cristo” escrita não com tintas humanas em superficialidades exteriores e sim pelo Espírito de Deus em nossos corações.

O Evangelho, “ministério da nova aliança” e do “espírito que vivifica” (vers. 4-6). O apóstolo Paulo trata de que o discípulo a cada cresce na consciência de que somente Deus é o absoluto da sua existência, transformando-o em “ministro da nova aliança”, através da encarnação do evangelho que produz vida, amor e esperança, nisso tripudiando com todo tipo de normatização que mata o nosso ser.

O Evangelho, o “ministério da morte e da condenação”, o “ministério do Espírito e da justiça (vers. 7-11). Paulo argumenta que no Antigo Testamento podemos apreender histórias experimentadas a partir de um movimento que ele define como “ministério da morte” e “ministério da condenação”, com suas normas gravadas em pedras, mesmo foi construído com glória como no momento em que o povo de Israel não contemplou o rosto de Moisés que resplandecia (Êxodo 34.29), pois era marcado pelo transitório. Nisso, concluiu com a verdade de que o evangelho possui uma glória e excelência muito maior porque consiste em um movimento produzido pelo “ministério do Espírito”, sendo um “ministério da justiça” e uma realidade formada por aquilo que é permanente.
Cleófas Júnior

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Fé Protestante em Tempos Globais: Por Uma Proposta Velha e Nova de Santidade

Coral da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande em 1925

Hoje apresentamos nossa última meditação dessa série intitulada a fé protestante em tempos globais que representa nossa pequena homenagem aos 45 anos da morte do nosso querido pastor João Clímaco Ximenes, nesse pequeno espaço tivemos a oportunidade de aprender e assim repensarmos os caminhos da nossa fé em nosso tempo o século XXI que nos parece tão complicado e contraditório. A partir das propostas do pastor Ximenes em seus sermões do século XX, mas que nos trazem orientação para construirmos a nossa identidade protestante e assim atentarmos que não podemos desprezar como tradição estéril o legado deixado por nossos pais, mas temos o desafio de preservar e repensar de forma criativa para os nossos tempos.

No sermão intitulado Motivos Para a Santificação (2 Pedro 1.1-21) pelo pastor Ximenes temos o propósito de repensar a nossa necessidade por uma proposta velha e nova de santidade em nossos tempos globais que é marcado por comportamentos extremos como o do relativismo ético total que nos deixa livres para satisfazermos todos os nossos desejos, e o do moralismo medíocre que cria regras consideradas santas tão somente para aprisionar as pessoas e usá-las na sua fé. O pastor Ximenes nos apresenta algumas dimensões dessa proposta velha, mas que necessitamos que hoje seja nova de santidade:

1ª Essa proposta velha e nova tem um quádruplo ideal: a) tornar firme a nossa vocação de sermos filhos de Deus; b) tornar firme a nossa eleição; c) nos livramos de viver em tropeço; d) tornar-nos a cada dia participante da natureza divina como filhos amados de Deus.

2ª A motivação correta para essa proposta velha e nova de santidade consiste na riqueza das promessas de Deus como a de que Ele vem nos buscar para vivermos em um novo céu e nova terra, reinarmos para sempre com Ele, vivermos a semelhança de Jesus Cristo, viver a cada momento na companhia de Deus o nosso Pai e contemplarmos a cada dia a glória eterna do nosso Deus.

3ª Essa proposta velha e nova de santidade consiste em trilharmos a cada dia um caminho com base na diligência que nos conduz a desprezar os valores em que vivem a nossa sociedade de morte e pecado com os homens constroem a vida no orgulho, na vaidade e na presunção. Mas sim um caminho de santidade baseado nos valores do Reino de Deus em uma vida que encarna a fé, a temperança, a paciência, a piedade e o amor fraternal para que assim vivamos em uma sociedade da vida e da liberdade de Deus. Essa proposta de santidade nos conduz a uma vida que rejeita a ociosidade, uma fé sem frutos e só de aparência, para assim tragamos alegria ao coração de Jesus Cristo e rejeitemos as proposta de Satanás de construirmos um mundo em morte e miséria.

Portanto, meus amados irmãos que repensemos melhor a proposta de santidade que temos criado atualmente em nossas comunidades cristãs no qual produz tão somente uma vida que busca sinais da benção de Deus em termos mais e mais bens materiais que são frutos dos nossos desejos de consumir produtos tratados como “santos” e “abençoados” que nos são oferecidos nos programas da cultura gospel com seus pastores ungidos e bem-sucedidos. E vivemos uma santidade que serve somente para que Deus realize os nossos desejos e sonhos consumistas, mas que reproduzem um mundo tão injusto e desigual porque os valores dessa santidade são os mesmos que são predominantes em nossa sociedade capitalista: consumir produtos para ser feliz e o próximo sofre porque não tem fé.

Mas considero muito mais importante pensarmos por uma proposta velha e nova de santidade que nos chama para construirmos a nossa vida nos valores do Reino de Deus com a graça libertadora de Deus nos transformando para buscarmos a sua justiça, paz, liberdade, dignidade e esperança para todas as pessoas, resultando em um novo céu e nova terra como podemos pensar a partir deste sermão do pastor Ximenes.

Cleófas Júnior

A Fé Protestante em Tempos Globais: Por Um Ideal no Caminho do Discípulo

Pastor João Clímaco Ximenes e sua Família

Hoje o nosso propósito é repensar a fé protestante em nossos tempos globais nas propostas trabalhadas por João Clímaco Ximenes em seu sermão Vida Ideal, olhando assim a necessidade de termos a cada dia como cristãos em nossas comunidades o entendimento de lutarmos por um ideal em nossa caminhada cristã. Lutarmos para não perder esse ideal em um mundo marcado pelo pessimismo e cinismo com suas verdades de que são desnecessários termos projetos e sonhos de um mundo melhor em que predomine a justiça e a paz em suas variadas faces a partir da presença soberana e libertadora de Deus.

Assim o pastor Ximenes em seu sermão nos conduz a repensar primeiramente isto a partir de uma questão: Qual a vida ideal/qual o ideal do cristão? No qual responde dizendo que consiste em comprovar através da sua vida que realmente recebeu uma nova vida em Jesus Cristo para viver sua caminhada agora como filho de Deus. Continua sua reposta ao afirmar que Deus em Jesus Cristo manifestou a plenitude do seu amor e na nossa vida Ele deseja manifestar ao mundo a sua obra completa de graça libertadora. Finaliza este momento com a verdade preciosa de que a vida de Jesus é o nosso ideal ou alvo, muito mais importante do que os livros escritos a cada dia sobre a vida de Jesus e sim Deus quer que a vida de Jesus seja lida na nossa vida. Em seguida trata disto em algumas dimensões quanto a esta verdade de um ideal na caminhada cristã:

1ª Um ideal de construir a vida vinda de Deus e também inteiramente submissa a Ele. Trata de que somos chamados a manifestar a cada dia a vida nova oferecida por Deus em sua graça, não podemos esconde – lá e sim manifestá-la em atos. Atos em semelhança aos de Jesus Cristo que foi inteiramente sujeito a Deus como comprova o batismo que Ele recebeu. Nos Evangelhos temos a declaração de que Jesus dependia do Pai em unidade: “A minha doutrina não é minha, mas do Pai. Seja feita não a minha vontade, mas a tua”.

2ª Um ideal de construir a caminhada cristã numa vida dirigida pelo Espírito Santo e de uma inteira fé em Deus. Como nos Evangelhos trata de que no seu batismo o Espírito Santo desceu sobre Jesus, para assim expressar a sua dependência e unidade com o Espírito de Deus. Trata também de que Jesus viu a necessidade de os seus discípulos experimentarem esse mesmo poder para uma vida ideal e assim se prontificou a enviar este poder, sendo impossível viver a vida de Jesus sem dar lugar ao Espírito para vivermos os valores do Reino de Deus. Mas para vivermos esse ideal é necessário crermos nas promessas de Deus e na realização das mesmas.

3ª Um ideal de construir a caminhada cristã para vivermos os valores do Reino de Deus e que somente o Senhor Deus revelado na santíssima Trindade nos concederá vitória na busca por esse ideal. Os Evangelhos narram a declaração de Jesus que o mais importante em sua vida terrena era cumprir a vontade do Pai de trazer o seu Reino de Justiça e Liberdade, e que esta deve ser a nossa principal ocupação. E nesta ocupação de vivermos os valores do Reino de Deus é importante não nos esquecermos de nos deleitarmos em viver tão somente em sua vontade e de tomarmos o jugo de Cristo que é o seu chamado. O Senhor Deus nos concederá vitória a partir de tudo quanto aprendemos com os milagres de Cristo contra as doenças e pecados, a vitória completa sobre o pecado e na sua ressurreição a vitória sobre a morte. Busquemos assim que em nossa caminhada se veja a vida de Jesus.

Portanto, meus amados irmãos que a cada dia lutemos por um ideal em nossa caminhada cristã que tenha como fundamento vivermos nos valores da nova vida outorgada pela graça de Deus em Jesus Cristo por nossa humanidade velha para assim vivermos em uma nova humanidade de amor, paz, justiça e liberdade conforme a vontade soberana de Deus. Que nós não negociemos esse ideal por aquilo que em nosso mundo tem sido apresentado como santo e o melhor de Deus, mas que serve apenas para beneficiar alguns e aumentar ainda mais a miséria deste mundo mau.

Cleófas Júnior

A Fé Protestante em Tempos Globais: O Que é Ser Igreja de Deus?

Pastor João Clímaco Ximenes e sua esposa Dona Luiza Barbosa Ximenes

Hoje estaremos repensando os caminhos da fé protestante em nossos tempos globais a partir do sermão do pastor João Clímaco Ximenes intitulado A Igreja e Sua Finalidade em sua leitura da Escritura Sagrada em Efésios 4.1-16. Assim proponho uma questão muito importante para todos os cristãos qual a missão integral das nossas comunidades cristãs, ou seja, qual a qual a razão da Igreja de Cristo existir nesse mundo e nossa participação nesta em seus desafios contemporâneos? O pastor Ximenes em seu sermão nos convida a repensar em algumas dimensões para a questão do que é ser Igreja de Deus em contraposição as “igrejinhas” fabricadas pelos nossos caprichos humanos:

1ª Ser Igreja de Deus é participar do maior privilégio proporcionado por Deus para nossas vidas. Assim temos a consciência da nossa missão semelhante a uma cidade que dever ser um lugar de abastecimento, um lugar de prazer, um lugar de segurança e um lugar de socorro. Sendo assim um lugar que prioriza transformar com o evangelho de Cristo todas as necessidades das pessoas, construindo assim um novo céu e uma nova terra na plenitude do Reino de Deus.

2ª É crescer na consciência de que somos como um corpo que deve assim priorizar a organização e a cooperação, nunca esquecer que depende em tudo da graça de Deus revelada em Jesus Cristo por ser a sua noiva. Ser um instrumento de Deus para o bem da humanidade com a vivência dos valores do Reino de Deus, para assim manifestar a sabedoria de Deus revelada na glória de Cristo através de uma vida com graça, amor e justiça em contraposição aos valores de morte da nossa sociedade. Tudo isto resulta na comunidade ser perseguida e rejeitada por todos aqueles que vivem para legitimar as veias da morte física e existencial em nosso mundo em suas estruturas de pecado.

3ª É atentar em nossa vida com todo cuidado especial semelhante ao que dedicamos ao nosso corpo físico. Não provocar escândalo para a comunidade participando sem que o Senhor conduza o nosso ser no cultivo dos valores do Reino de Deus e assim vivemos somente como base nos parâmetros do pecado deste nosso mundo que resulta em relacionamentos de separação e destruição no âmbito pessoal, comunitário e da natureza. Em nossa comunidade devemos ser um lugar que o Deus em Jesus Cristo e no Seu Espírito nos transforme em sua graça libertadora e que produz a única esperança duradoura do Reino de Deus.

Portanto, meus amados irmãos em nosso tempo presente em nossas comunidades cristãs nós muitas vezes desprezamos ser Igreja de Deus na perspectiva do Evangelho porque escolhemos trilhar os caminhos da cultura gospel propagada em seus programas evangélicos nos meios de comunicação que nos chama a uma cultura de vida que prioriza o ter as coisas como valores de um suposto “Reino de Deus” que serve tão somente para enriquecer os bolsos dos nossos “grandes pregadores” em suas empresas religiosas e aumentar a miséria que gera morte constante em nosso mundo globalizado da maioria dos filhos e filhas do Senhor. Vivamos, pois, a cada momento a missão integral das comunidades cristãs de vivermos nos conflitos deste mundo mal os valores do Reino de Deus revelado no evangelho libertador de Jesus Cristo para assim cumprirmos o nosso chamado de lutarmos por um novo céu e nova na plenitude da justiça de Deus.


Cleófas Júnior

A Fé Protestante em Tempos Globais: É Possível Uma Espiritualidade Verdadeira?

Pastor João Clímaco Ximenes e sua Família


No dia 11 de outubro de 1963 os membros da Igreja Congregacional de Campina Grande viveram um dia de tristeza e saudade porque tinha falecido um dos mais importantes pastores da primeira comunidade protestante da cidade, o pastor João Clímaco Ximenes. Hoje em 2010 depois de quarenta e sente anos a temos o desafio de repensar os caminhos da fé protestante na sociedade contemporânea em tempos globais e é muito importante vivermos isto a partir do maior legado do nosso querido pastor João Clímaco Ximenes os seus sermões que sintetizam sua vida de ser um pregador fiel do Evangelho de Cristo para assim prestarmos uma homenagem a sua memória.[1]

Por isso, estaremos pensando um pouco mais nos caminhos propostos e vividos pelo pastor Ximenes no século passado para vivermos a nossa fé no século XXI, pois consideramos esta memória como um campo fértil e rico para exercícios criativos e críticos, como no seu sermão Religião Verdadeira.

É possível em nossa sociedade contemporânea marcada pelo pluralismo religioso e ético que tem produzido a cada dia muitos fiéis que buscam uma fé baseada em seus próprios interesses como o centro do mundo e assim a aumenta a realidade de injustiça de nosso mundo, pensar em cultivar e viver uma religião verdadeira? O pastor Ximenes nos ajuda nessa questão a partir da leitura da Escritura Sagrada em Tiago 1.19-22 de que viver uma religião que busca ser verdadeira tem as seguintes dimensões:

1ª Ter cuidado com a língua para que assim não produzamos a maldade para com o próximo gerando assim morte e destruição. Pois isto nos conduz a partilhamos de um mundo que é construído no anti-reino de Deus em sua trilogia: os desejos de um coração perverso, os olhos egoístas e a soberba de uma vida orgulhosa que só pensa em si mesma.

2ª Reconhecer o quanto dependemos do amor incondicional de Deus como o nosso Pai para construímos a nossa vida. Para assim buscarmos em todo tempo cuidar do nosso próximo em suas aflições e sofrimento, essa graça amorosa de Deus nos conduz a fazer amizades com todos resultando assim em uma produção de uma vida abundante.

3ª A busca constante por uma transformação em todo nosso ser, o nosso caráter. Para assim construirmos a nossa vida a cada dia em humildade, pureza nos motivos, alegria, paciência, piedade e compaixão em todos os lugares em que habitamos como: na rua, no trabalho, na família.

Portanto, meus amados irmãos que a cada dia repensemos na possibilidade e preciosidade de vivermos uma espiritualidade verdadeira que está além da nossa participação em uma mera instituição religiosa nos seus cultos e cumprirmos fielmente suas regras humanas tratadas como divinas. Com uma religião que na maioria das vezes nos afasta de Deus em sua imagem de Pai amoroso e assim nos separa também do nosso próximo em suas dores e sonhos. Que vivamos essa religião verdadeira que tem como centro a nossa dependência da graça amorosa de Deus que nos transforma para assim vivermos uma vida abundante para com todos na satisfação diária, justa e comunitária das nossas necessidades de alimento, de vestir, educação, diversão, trabalho, família, ou seja, a nossa fome diária de Deus em seu reino eterno.
Cleófas Júnior


[1] Os sermões que serão trabalhados nos boletins dominicais estão contidos no livro de SOUZA, Claudenor Gomes de. João Clímaco Ximenes – sua vida, sua obra. Campina Grande (PB): Ed. do Autor.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MÚSICA BRASILEIRA, INDEPENDENTE E GLOBALIZAÇÃO - TEATRO MÁGICO

Assista ao video do Teatro Mágico sobre que nós somos bem maiores do que os reducionismos do capitalismo globalizado. “O Teatro Mágico: Segundo Ato” é o mais recente álbum de Fernando Anitelli e sua trupe. As composições escolhidas colocam em debate o homem e a sociedade na qual vive. No primeiro CD (Entrada para Raros), a trupe estava imersa num universo paralelo, num lugar onde tudo era possível, falávamos de lutar pelos nossos ideais, pelos sonhos. No “Segundo Ato”, a gente dialoga sobre como realizar isso. É como se a trupe chegasse na cidade e se deparasse com as questões sociais e urbanas, como o cotidiano dos mendigos citados na música “Cidadão de Papelão” ou a problemática da mecanização do trabalho, questionada na canção “O Mérito e o Monstro”. Indo mais além, na música “Xanéu nº5″, há um debate sutil e, por vias opostas, mordaz, sobre o amontoado de informações que absorvemos, sem perceber, assistindo aos programas de TV da atualidade”, explica Anitelli. Acesse o site para baixar gratuitamente os CDS do Teatro Mágico e conhece melhor o trabalho deles: http://oteatromagico.mus.br.

MÚSICA BRASILEIRA POPULAR E INDEPENDENTE - TEATRO MÁGICO

Concebido em 2003 com o sugestivo nome “O Teatro Mágico: Entrada para Raros” (nome inspirado no best seller “O Lobo da Estepe” do autor alemão Hermann Hesse), o primeiro trabalho de Fernando Anitelli como artista solo prima pela mistura de ritmos e estilos. Depois de algumas apresentações, “O Teatro Mágico” deixa de ser “apenas” o nome do CD e passa a denominar a companhia artística criada por Anitelli que, junto de seus companheiros, escreve seu nome na história da música popular brasileira com o sucesso independente de gravadoras ou mídias de massa.

Nossa esperança não é fuga das contradições da vida, mas comunhão amorosa e libertadora com Deus no presente - Evangelho e Poesia



15 Afirmamos a todos vós, pela Palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos quando se der o retorno do Senhor, certamente não precederemos os que dormem nele.


16 Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, eos mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.


17 Logo em seguida, nós, os que estivermos vivos sobre a Terra, seremos arrebatados como eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E, assim, estaremos com Cristo para sempre!


18 Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras.

I Tessalonicenses 4.15-18



NASCER DE NOVO
Carlos Drummond de Andrade


Nascer: findou o sono das entranhas.
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,o nervo exposto dos problemas.



Sondamos,inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta,deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?



Eis um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.



A explicação rompe as nuvens,
das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou eu, sou o Outro
que em mim procura seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.

A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Nossa Esperança, a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo - Evangelho e Poesia


13 Não desejamos, no entanto, irmãos, que sejais ignorantes em relação aos que já dormem no Senhor, para que não vos entristeçais como os outros que não possuem
a esperança.



14 Porquanto, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, da mesma maneira devemos crer que Deus, por intermédio de Jesus, trará juntamente com Ele os que nele faleceram.


I Tessaloninces 4.13-14

JOSÉ (Carlos Drummond de Andrade)

E agora,José?
a festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
e agora você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
n noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora José?
Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,

Com a chave na mão
quer abrir a porta,

não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;

quer ir para Minas,
Minas não há mais,
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José,para onde?

José (1941-1942)

Avivamento, Evangelho de Jesus e Tempos Globais


O protestantismo no Brasil em suas variadas faces (seja o histórico, o pentecostal e o neopentecostal) para muitos tem vivenciado um grande avivamento e reavivamento da fé cristã em uma sociedade globalizada marcada pelo secularismo e relativismo de verdades absolutas. Sendo que a comprovação deste avivamento está no crescimento numérico das igrejas, nos programas de rádio e televisão, nos grandes e belos templos no estilo “shopping center”, no aumento constante de políticos evangélicos que defendem a “moralidade” cristã.

É interessante atentarmos que o caminho deste avivamento no protestantismo que tem como modelo a proposta do neopentecostalismo televisivo na produção de uma “religião do trono”, priorizando a busca do bem-estar e o desejo de consumo inesgotável dos seus membros. O resultado é uma fé que o individuo se considera merecedor de muitas bênçãos que Deus tem a obrigação de conceder, como aponta a socióloga Patrícia Alves.

Existe a necessidade de repensarmos este modelo atual de caminho para o avivamento em nossas igrejas evangélicas, por isto, é importante olharmos a história de um grande pregador puritano inglês Richard Baxter. Durante três anos este pregador capacitado por Deus pregou de todo o seu coração a um povo rico e sofisticado, mas sem resultados visíveis. Finalmente, Baxter clamou a Deus: “Senhor, faz algo por este povo ou então morro”. Mas Deus respondeu como se fosse em voz alta e recomendando a ele: “Baxter, você está trabalhando no lugar errado. Está esperando que o avivamento venha através da igreja. Tente pelo lar”. Baxter começou a visitar os lares, ajudando famílias a organizarem um “altar familiar”, até que o Espírito Santo ateou fogo naquela congregação e fez dela uma igreja forte.

Portanto, meus amados irmãos, esta história nos remente a enxergamos que o caminho para um avivamento bíblico, equilibrado e transformador em todos os âmbitos da nossa sociedade, consiste em trabalharmos no lugar certo que é a busca constante por uma espiritualidade libertadora fundamentada na vivência dos valores do Reino de Deus expressos no Evangelho de Cristo, em nosso cotidiano familiar para assim o construirmos como um altar de adoração a Deus. Busquemos, pois, construir essa espiritualidade em nosso lar com a prática da oração e leitura bíblica em comunhão para que assim sejamos Igreja formada pelo Evangelho de Jesus.

Cleófas Júnior

Globalização, Tesouros Humanos e o Evangelho - Marcos 10.17-22


Para muitas pessoas em nosso mundo contemporâneo os tesouros da existência humana consistem na realização absoluta dos seus diversos desejos e prazeres. Tornando-se assim o ser humano o centro de todas as coisas, o que importa nisto é adquirir o maior número de bens materiais para assim os desejos sejam satisfeitos. Vivemos em um mundo que privilegia o Ter como tesouro da existência humana e com base nisto as pessoas constrói suas vidas. Na Escritura Sagrada encontramos uma história que nos conduz a pensar sobre quais os tesouros da nossa existência, em Marcos 10.17-22 sobre o diálogo de um homem rico com Jesus Cristo.


É reconhecer a nossa necessidade de vida eterna (ver. 17). O homem rico pergunta a Jesus Cristo sobre como encontrar a vida eterna. Essa pergunta expressa certa preocupação na coração do homem em relação a sua existência em encontra algo mais valioso, que não se restringiam aos bens materiais que lhe satisfaziam os prazeres, e este tesouro era a vida eterna. O nosso primeiro tesouro consiste em reconhecermos a nossa necessidade de vida eterna, numa atitude de construirmos nossa vida em um relacionamento de amor com Deus, que conduz os nossos caminhos como nosso Senhor Libertador para vivermos no novo céu e nova terra.


É reconhecer a importância da Palavra de Deus (vers. 19-20). A resposta de Jesus Cristo ao homem rico foi a de que a vida eterna consiste em seguir os preceitos estabelecidos por Deus. O homem respondeu em seguida que seguia todos os preceitos de Deus desde a sua juventude, porém para ele estes faziam parte da sua existência apenas em atos externos. O nosso segundo tesouro consiste em cultivarmos em nosso coração os preceitos (valores) estabelecidos por Deus expressos na Escritura Sagrada para que conduzamos nossa existência em contraposição aos valores predominantes em nosso mundo como: o relativismo de verdade e ético, a absolutização do prazer, o consumismo e individualismo em extremo.


É viver a partir do evangelho de Cristo (vers. 21-22). Jesus Cristo termina o diálogo como o homem rico quando o olha com amor incondicional e fala que lhe faltava uma coisa: compartilhar todos os seus bens com os pobres e construir sua vida como um seguidor do seu evangelho para sempre, mas o homem se despediu triste porque o pedido era muito extremo. O nosso terceiro grande tesouro é contemplarmos Cristo a cada dia a falar conosco com um amor incondicional nos chamando a viver com base em seu evangelho seguindo os seus caminhos, que foi servir a Deus Pai em favor da libertação do nosso mundo perdido e com dor.


Portanto, somos chamados a encontrarmos e vivermos estes grandes tesouros da existência em nosso mundo tão confuso e sofredor, para assim construirmos nossa vida a partir do evangelho de Cristo que nos conduz a vida eterna e a seguir os valores do Reino de Deus. Sendo possuído a cada dia por Seu amor e graça, para lutarmos diariamente pela libertação da minha vida, do meu próximo e do nosso mundo, e assim estaremos vivendo o grande mistério do Reino de Deus que é ser amado por Deus Pai e entregar-se a Ele e ao nosso próximo na construção de um novo céu e nova terra.


Cleófas Júnior

Jesus Cristo e a Existência Humana - João 1.1-14


Para muitas pessoas a pessoa de Jesus Cristo representa: “um grande revolucionário político”, “um grande profeta”, “um grande mestre”, “um grande curandeiro”. Enquanto outras pessoas pensam na pessoa de Jesus Cristo de forma absoluta com a sua instituição religiosa, acredito que todos estes pensamentos reduzem o significado da pessoa de Cristo com a criação de caricaturas, pois em muitos momentos podem ser usados para interpretar a mensagem de Cristo para opressão das pessoas e legitimação dos privilégios de “alguns escolhidos”. Contra estes pensamentos reducionistas é necessário observamos a Escritura Sagrada com a mente aberta para ouvirmos a sua mensagem sobre quem é Jesus Cristo na existência humana, como nos apresenta João 1.1-14 em alguns aspectos.

Jesus Cristo é Deus desde a Eternidade (vers. 1-4, 10). Jesus Cristo é o Logos que na filosofia de Platão era entendida como a “razão” ou “lógica”, como uma força abstrata responsável pela ordem e harmonia do mundo. O apóstolo João utiliza essa expressão em relação a Cristo para ensinar a verdade de que Ele existente desde a eternidade antes de todas as coisas que compõem a obra da criação, mas não como mera força abstrata. João argumenta que Cristo é o responsável por toda obra da criação conforme Gênesis 1 e 2: a terra, o mar, o céu, os animais, as árvores, os rios, culminando com o homem e a mulher, vivendo um relacionamento de amor a Deus, ao semelhante e a natureza. Em seguida afirma que Jesus Cristo na sua pessoa era a Vida que representa a comunhão de amor expressa na realidade de felicidade, paz, harmonia e liberdade da criação no contexto do Jardim do Éden.

Por isto, necessitamos reconhecer a pessoa de Jesus Cristo como Deus Eterno que transcende a todas as questões que compõem a existência humana. Deus Eterno que foi o grande arquiteto da obra da criação tanto do mundo em seus aspectos físicos como da humanidade. Participou dessa obra com o propósito de gerar vida e luz para que a existência humana fosse dominada pela beleza do eterno amor de Deus.

Jesus Cristo é a verdadeira luz para transformar a escuridão da existência humana (vers. 5-13). João no versículo 5 nos mostra que a existência humana está envolvida numa realidade de trevas e escuridão em todas as suas dimensões (pessoais, sociais, políticas, econômicas e culturais), porque através do pecado ele rejeitou ao amor incondicional de Deus Pai como fundamento da vida para viver conforme os seus próprios desejos de morte e injustiça, tornando-se filho da desobediência. Em seguida João fala sobre o testemunho de João Batista que consistia em denunciar as trevas que dominava a existência humana e mostrar a necessidade de recomeçar a viver em arrependimento para com Deus quando viesse aquele que era a verdadeira luz. Essa verdadeira luz é Jesus Cristo que transforma a escuridão de pecado que vive o ser humano neste mundo, tornando filho de Deus que caminha na obediência do eterno amor do Pai que nos conduz a vida e a liberdade. Isto acontece a partir da verdade de que o Cristo que é Deus Eterno tornou-se humano para através da sua graça e verdade trazer a revelação de forma concreta da nossa escuridão e assim nos conduzir ao caminho da luz, partilhando assim de todas as nossas misérias como uma manifestação do eterno amor de Deus por nós.

Portanto, aprendemos que a pessoa de Jesus Cristo é a verdadeira luz que se tornou humano para nos conduzir ao caminho da luz que consiste em construirmos a nossa existência como filhos de Deus que são dominados a cada dia pelo eterno amor do Pai em obediência aos seus valores eternos, lutando assim contra as trevas em nosso mundo.


Cleófas Júnior

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A NECESSIDADE DE OUVIR CRISTO EM NOSSO CORAÇÃO NO COTIDIANO - Lucas 10.38-42



Na sociedade contemporânea nós conduzimos nossa existência através de um cotidiano muito ocupado com muitas atividades, nisto nós damos muita importância em ouvir no nosso coração às mensagens trabalhadas pelos meios de comunicações (televisão, rádio e internet). Essa realidade muitas vezes nos impede de darmos uma atenção maior a grande necessidade de ouvir a mensagem de Cristo em nosso coração diariamente, considero importante olharmos para esta necessidade a partir de alguns aspectos da Escritura Sagrada em Lucas 10.38-42 com a narrativa da visita de Cristo a casa de Maria e Marta.


A atitude de Marta em hospedar Jesus Cristo em sua casa (ver. 38). Olhemos com profundo respeito à atitude de Marta, uma mulher que tinha como condição normativa viver marginalizada na sociedade judaica ocupando tão somente o ambiente domesticado, rompeu com isto ao receber e hospedar a Jesus Cristo em sua casa. Essa atitude represente dedicação, reverência e fé de Marta para com Cristo, que devia ser o Senhor do seu cotidiano. Aprendemos que devemos partilhar da mesma, recebendo a Jesus Cristo em nossa casa, que representa a nosso viver diário. Fazendo de Cristo o maior hóspede da nossa vida, recebendo-o com reverência, fé e dedicação. Permitindo a cada momento ser dominado pela eterna graça e misericórdia de Deus, em Cristo.


A atitude de Maria em ouvir Jesus Cristo, assentada aos seus pés (ver. 39). A atitude de Maria, irmã de Marta, ao ter Jesus Cristo como hóspede em sua casa. Maria desde que Cristo tinha chegado teve a atitude única de assentar aos pés dEle em sinal de reverência, respeito e adoração ainda maior, para ouvir as suas preciosas mensagens porque as considerava de suma importância para o seu bem viver. Entendemos que esta atitude de Maria nos ensina hoje, que em nosso cotidiano ocupado temos que desenvolver a atitude diária de nos prostarmos aos pés de Cristo para ouvir em nosso coração os seus ensinamentos, que são os valores eternos do Reino de Deus.


A atitude de Marta em não ouvir Jesus Cristo por causa do trabalho diário (vers. 40-42). Marta teve a atitude bela de hospedar Cristo em sua casa, mas durante a sua estadia, ela não priorizou ouvir as mensagens dEle porque estava envolvida intensamente em seu trabalho diário de preparar a casa para os visitantes, resultando em muita agitação. O coração de Marta não estava atento para as palavras de Cristo, mas para o seu trabalho e assim se esqueceu da sua maior necessidade e que lhe conduziria ao caminho da liberdade. Podemos entender esta atitude de Marta como uma realidade que estamos sujeitos a viver: a atitude de em nosso cotidiano não ouvirmos a Cristo no coração com sua mensagem libertadora que nos conduzem ao caminho da liberdade integral. Isto por causa de nosso cotidiano de trabalho diário para satisfação dos nossos interesses.


Portanto, busquemos a cada dia satisfazer essa nossa necessidade de ouvir a mensagem libertadora de Cristo em nosso coração em nossa vida diária, no âmbito da família, do trabalho, do estudo e nas reuniões das nossas igrejas. Na dependência tão somente da graça iluminadora do Espírito Santo na prática da oração e leitura bíblica para assim crescermos na bem-aventurança do Reino de Deus.

Cleófas Júnior

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Globalização e a Supremacia do Ter - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)

Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia,não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu,mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou coisa, coisamente.



A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a Privação das Subjetividades - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)


Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente0.
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espalhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco de roupa
resumia uma estética?


A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a Homogenização da Vida - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)


Meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim - mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua alma humana,invencível condição.



A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a "Coisificação" da Vida - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... Estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha tolha de banho e sabonete,


A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

A Palavra de Deus produz paz e liberta de todo medo - João 14.26-28


26 Mas o Advogado, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu Nome, esse vos ensinará todas as verdades e vos fará embrar tudo o que Eu vos disse.


27 Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.


28 Vós ouvistes o que Eu disse: ‘vou, mas retorno para vós.’ Se me amásseis, ficaríeis alegres com o fato de que Eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que Eu.



No entanto, quando o cidadão se percebe assim, tendo Deus – em Sua misericórdia – permitido que ele caísse em si e, finalmente, olhasse para dentro, então o que acontece é que ele não se reconhece, e se assusta, se escandaliza, se choca, se culpa, se penitencia! Não sabe porque “depois de tanto tempo de evangelho” o que habita seu interior são as mesmas raivas, angústias e escravidões de outrora, mas agora travestidas de ‘santidade exterior‘; existem os mesmos bichos vociferando rancores e preconceitos, só que agora legitimados pela interpretação adaptada da Bíblia, que nos dá a entender que somos seres superiores, triunfalistas, uma raça cheia de méritos em ser santa, um povo que se “acha!” por ser designado de propriedade exclusiva de Deus, sem qualquer compreensão que, em havendo tal eleição, ela é fruto de pura Graça, é anterior a nós mesmos, sendo anterior a qualquer coisa que tenhamos feito ou deixado de fazer, é anterior, inclusive, ao nosso próprio nascimento. Aliás, essa coisa toda é desígnio de Deus desde antes da fundação do mundo, quando o Cordeiro foi imolado para redenção de todo ser criado.


Caio Fábio. O Caminho da Graça Para Todos. p. 7

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ouvir, aprender e obedecer por gratidão a Palavra do Pai em Jesus Cristo e Espírito Santo - João 14.21-24


21 Aquele que tem os meus mandamentos e obedece a eles, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me
revelarei a ele.”

22 Então, perguntou-lhe Judas (não o Iscariotes): “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”.

23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, obedecerá à minha Palavra; e meu Pai o amará, e nós viremos até ele e faremos nele nosso lar.

24 Quem não me ama não obedece às minhas palavras; e a Palavra que vós estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou.


O que os cristãos precisam saber é que não há melhor lugar para conhecer nossa própria verdade, senão no solo seguro da Graça de Deus, onde não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus! Há somente aceitação e renovação! Primeiro se percebe tal qual se é; depois o Espírito promove seus frutos em nós, enchendo a vida de paz, alegria e amor.

Mas, paradoxalmente, os crentes têm medo de se enxergar como gente. Desse ponto em diante, a maioria dos cristãos confunde descanso e pacificação com vagabundagem existencial. Crescer em entendimento e experiência da Graça de Deus na presente existência, demanda de nós esforço, compromisso, e busca disciplinada de desenvolvimento interior, e que é fruto de auto-exame, e de auto-discernimento, tarefa que seria insuportável sem um coração pacificado pela Graça.

Caio Fábio. O Caminho da Graça para Todos. p. 6

Deus vive em nós, Espírito da Verdade e a graça incondicional - João 14.16-31



16 E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Advogado, a fim de que esteja para
sempre convosco,

17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem
o conhece; vós o conheceis, porque Ele vive convosco e estará dentro de vós.

18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.

19 Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; entretanto, vós me vereis. Porque Eu vivo, e vós da mesma forma vivereis.

20 E naquele dia, entendereis que Eu estou no meu Pai, e vós, em mim, e Eu, em vós.

A Graça é o convite de Deus a crescermos como gente ainda nesta vida. Veja: Quando meus filhos eram meninos, eu os tratava com lei, embora a graça do amor fosse a razão das regras. Mas à medida em que foram crescendo, e ia chegando o tempo dos ritos de passagem acontecerem - quando para cada um deles ficava implícito que o tempo da “tutela paterna” estava cessando - fui deixando-os mais livres, visto que a estação da “consciência própria” estava pronta para se abrir em frutos de auto-compreensão.

Caio Fábio. O Caminho da Graça para Todos. p. 6 (para dowloand gratuito do livro acesse: http://www.caiofabio.net/)

Cleófas Júnior

O MOVIMENTO GOSPEL NO BRASIL E O "PRAGMANTISMO" - na pena de Carlos Drummond de Andrade


ROMARIA
Carlos Drummond de Andrade


Os romeiros sobem a ladeira
cheia de espinhos, cheia de pedras,
sobem a ladeira que leva a Deus
e vão deixando culpas no caminho.
Os sinos tocam, chamam os romeiros:
Vinde lavar os vossos pecados.
Já estamos puros, sino, obrigados,
mas trazemos flores, prendas e rezas.

No alto do morro chega a procissão.
Um leproso de opa empunha o estandarte.
As coxas das romeiras brincam no vento.
Os homens cantam, cantam sem parar.

Jesus no lenho expira magoado.
Faz tanto calor, há tanta algazarra.
Nos olhos do santo há sangue que escorre.
Ninguém não percebe, o dia é de festa.

No adro da igreja há pinga, café,
imagens, fenômenos, baralhos, cigarros
e um sol imenso que lambuza de ouroo pó das feridas e o pó das muletas.

Meu Bom Jesus que tudo podeis,
humildemente te peço uma graça.
Sarai-me, Senhor, e não desta lepra,
do amor que eu tenho e que ninguém me tem.

Senhor, meu amo, dai-me dinheiro,
Muito dinheiro para eu comprar
Aquilo que é caro mas é gostoso
E na minha terra ninguém não pissui.

Jesus meu Deus pregado na cruz,
me dá coragem pra eu matar
um que me amola de dia e de noite

Jesus Jesus piedade de mim.
Ladrão eu sou mas não sou ruim não.
Por que me perseguem não posso dizer.
Não quero ser preso. Jesus ó meu santo.

Os romeiros pedem com os olhos,
pedem com a boca, pedem com as mãos.
Jesus está cansado de tanto pedidodorme sonhando com outra humanidade.
e diz gracinhas à minha mulher.

Jesus Cristo, os Pequeninos e o Reino de Deus - Marcos 10.13-16


Os pequeninos sendo afastados do Reino de Deus por causa da violência (ver. 13). O interessante nessa história é a atitude dos discípulos de Jesus Cristo em relação às crianças que foram trazidas para que fossem abençoados pelo toque do amor de Jesus Cristo, eles impediram com violência que os pequeninos tivessem esse relacionamento com o Mestre. A questão para pensarmos é na constante realidade que temos criado em que continuamos muitas vezes a afastar os pequeninos do Reino de Deus, então, acesse o seguinte link sobre a Missão Nigéria que teve o propósito de proteger os pequeninos da violência e trazer a benção do Reino de Deus: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/1-os-pequeninos-sendo-afastados-do.html.

Jesus Cristo com indignação e revolta com a atitude dos discípulos afirmou que dos pequeninos é o Reino de Deus (vers. 14, 16). A reação de Jesus Cristo para com a violência dos seus discípulos em relação aos pequeninos foi de indignação e revolta, porque para Ele o caminho é muito simples de que deles é o Reino de Deus e não podemos impedir que sejam tocados pelo amor de Deus. A questão que permanece é porque temos tratado com tanta violência e desamor aos pequeninos, tendo o prazer infernal de colocá-los no inferno, por isso, acesse o link a seguir com uma mensagem sobre “Aprender com pureza das crianças”: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/jesus-cristo-com-indignacao-e-revolta.html.

Os pequeninos como paradigma de serem discípulo e caminhante no Reino de Deus (ver. 15). A preciosidade dessa história está quando Jesus Cristo rompe com todo círculo de violência na sociedade quanto aos pequeninos e os ergue como modelo do caminho do que seja ser discípulo e caminhante no Reino de Deus, ou seja, temos que aprender com as crianças o caminho da vida e da sabedoria. É necessário refletir no porque ainda insistimos em construir outros paradigmas sobre o Reino de Deus e desprezarmos a verdade de Jesus Cristo, acesse o link seguinte sobre “A bruxificação das crianças”: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/os-pequeninos-como-paradigma-de-serem.html.

Cleófas Júnior

A “Fábrica de Deuses” e Deus no Evangelho de Jesus Cristo - Atos 17.16-31


Os seres humanos e suas invenções diárias de deuses (vers. 16-23). Paulo em sua visita na cidade de Atenas na Grécia Antiga produziu uma atitude de indignação com aquilo que podemos chamar de uma “fábrica de deuses”, em que a cada dia os moradores produziam novos deuses e cultos litúrgicos conforme a arte da imaginação. Interessante observar o quanto a produção da fábrica era intensa, constante e diversificada, como na invenção de um altar erguido ao “Deus Desconhecido”. Portanto, a verdade ser apropriada por nós hoje é que no século XXI permanecemos com uma produção enlouquecida da nossa “fábrica de deuses”, em que utilizamos a imaginação e inteligência para criarmos altares de adoração para construirmos nossa identidade e o mundo.

O Deus Criador no Evangelho não habita na “fábrica de deuses” dos humanos (vers. 24-25). Paulo depois de manifestar sua indignação com a “fábrica de deuses” dos humanos fez uma leitura abrangente com a consciência do Evangelho de que Deus é o Criador de todas as coisas, sendo Senhor absoluto que manifesta a sua vida e amor sobre todos com o poder de cuidar de tudo. Assim não vive em templos produzidos por nossas mãos e não necessita de nossas oferendas, sacrifícios e “despachos” para continuar a ser o Criador amoroso. Portanto, a verdade que a cada dia necessitamos cultivar em nosso coração é a revelação do Evangelho de Jesus Cristo de que Deus é o Criador soberano e amoroso de todo mundo e nisso transcende as nossas fabricações humanas.

Os seres humanos encontram, recebem e experimenta a vida em abundância tão somente por fé no Deus Criador (vers. 26-31). Paulo prossegue com a verdade do Evangelho de que o Deus criou com amor todos os seres humanos para que lhe busquem em fé no seu próprio coração. A fé de que em Deus vivemos, movemos e existimos, pois Ele é a nossa suficiência porque dele fomos gerados e assim não se limita as nossas criações de imaginação. Portanto, a verdade de hoje para nós é de que Deus Criador nos chama a experimentarmos um coração transformado em amor e termos a decisão de vivermos em Deus e não nas ilusões de nossas maquinações.

Cleófas Júnior

NO EVANGELHO DEUS ABRAÇA A TODOS COM AMOR ETERNO - Atos 10


Deus revela o seu amor sobre todos os povos e pessoas (vers. 1-8). Nessa história a verdade do Evangelho que necessita ser apropriada por nós hoje é de que quando olhamos a vida de Cornélio, um homem não pertencente ao povo de Israel (considerado o povo de Deus), podemos enxergar o quanto Deus manifestou e revelou o seu amor sobre sua vida e família. Através de uma visão Deus falou com Cornélio de que lhe visitaria com sua Palavra por intermédio do apóstolo Pedro e o interessante foi a sua atitude de obediência a voz divina no seu coração. Assim, a verdade é que Deus a cada dia revela o seu amor sobre todos os povos e pessoas conforme sua Palavra Soberana, trazendo assim comunhão sem legitimar sectarismos e partidarismos de grupos sociais, não esqueça que o amor de Deus é livre.

Deus revela em seu amor que ninguém deve ser considerado “impuro” e “insignificante” (vers. 9-22). Na história Deus também revela o seu amor para o apóstolo Pedro que como judeu estava imbuído de uma perspectiva reducionista do evangelho de Jesus Cristo, no sentido de que fosse um caminho exclusivo por uma questão natural para o povo judeu e nisso se consideravam “melhores” que os outros povos e pessoas. Mas Deus também trouxe uma visão para Pedro para ensinar a verdade de que não considerasse “impuro” e “insignificante” todas as pessoas que por Ele eram amadas e dignificadas. Nisso Pedro em obediência a voz divina rompeu com a sua perspectiva reducionista e foi na casa de Cornélio para compartilhar o Evangelho de Jesus. Assim, a verdade é que Deus nos revela hoje a nossa necessidade de rompermos com nossa visão limitada do seu amor em relação aos povos e pessoas. Tenha cuidado para não considerar “impuro” e “insignificante” aquilo que não é para Deus.

Deus derrama o Seu Espírito de amor sobre todos (vers. 23-48). Na história o apóstolo Pedro em obediência rompeu os seus preconceitos e foi na casa de Cornélio para compartilhar o Evangelho da boa nova divina de que em Jesus Cristo todos os povos e pessoas encontram a paz. Durante a pregação de Pedro algo surpreendente aconteceu: em que Deus derramou o seu Espírito em todos que ouviam a Palavra, deixando aos judeus que lhe acompanhavam ficaram surpresos com a manifestação da graça divina. Assim a verdade é de que no Evangelho Deus derrama o Seu Espírito de amor sobre toda a carne como lhe apraz, com isso produzindo uma consciência transformada pelo amor e pela vida.

Cleófas Júnior

O “PODER MÁGICO” E O PODER DO ESPÍRITO SANTO - Atos 8.9-25


O “poder mágico” e a ilusão de que temos o “grande poder” (vers. 9-13). Nessa história o mágico Simão da região de Samaria com suas artes produziu uma imagem de si entre a população de que era um “grande vulto”, o “poder de Deus” e o “grande poder”. Mas Filipe compartilhou o Evangelho nessa região em que produziu uma grande transformação na consciência das mulheres e homens da região sobre o sentido da vida. Nesse contexto o Simão também abraçou a fé em Jesus e ficou muito surpreendido com os milagres e sinais realizados através de Filipe. A questão é que mesmo tendo abraçado a fé o Simão permaneceu com a consciência de que em seu “poder mágico” lhe trazia o “grande poder”, confundindo o Evangelho de Jesus com essa sua ilusão.

O poder do Espírito Santo é um dom divino, presente de Deus (vers. 14-20). Na história os apóstolos Pedro e Tiago foram enviados pela igreja em Jerusalém para continuarem o discipulado na vida desses crentes. Pedro e Tiago oraram para que esses discípulos recebessem o Espírito Santo para continuarem o caminho de seguir Jesus Cristo. O interessante é a atitude de Simão em relação à oração dos apóstolos pelo poder do Espírito Santo, em que ofereceu dinheiro para que assim também tivessem esse poder. A verdade para apropriarmos em nosso coração de que o poder do Espírito Santo não nos é outorgado por negócios e barganhas, tal prática produz apenas morte e perdição em nossas vidas. Não esqueça que o poder do Espírito é um presente divino sobre nós.

O poder do Espírito Santo produz perdão e vida (vers. 21-25). A história termina com Pedro e Tiago ministrando para Simão de que o coração dele estava cheio de pecado, de amargura e maldade. Assim a o caminho que necessitava trilhar era o do arrependimento, da confissão e um passo para transformação produzida pelo poder do Espírito em que resulta em perdão e vida. Temos que caminhar no poder do Espírito que nos liberta das amarras das nossas ânsias de controlar e determinar a vida das pessoas, como também de vivermos para agradar os caprichos de determinadas autoridades. Através de um viver em obediência, humildade, amor, companheirismo e entrega pelos outros, diferentes de mim.

Cleófas Júnior

O DISCÍPULO, AMIGO E OS FRUTOS - João 15.1-17


Discípulo um “ramo” firme na “videira” que é Jesus Cristo. Nos versículos 1 a 6 a verdade do evangelho em uma linguagem simbólica consiste em crescermos na consciência de que Jesus Cristo é a “videira verdadeira”, Deus Pai o “agricultor” e todo discípulo um “ramo” que quando está ligado Nele produz muito fruto. Assim o discípulo tem um chamado para permanecer firme em Jesus Cristo porque ele como ramo não tem o poder e disposição de gerar fruto sozinho. Daí a necessidade nesses tempos globais de viver o caminho do discípulo em conexão constante, intensa, intima e radical aos pés do Senhor Jesus Cristo, para que não sejamos meros escravos dos nossos caminhos e dominados pela inutilidade.

Discípulo permanece na Palavra de Jesus Cristo e no amor. Entre os versículos 7 a 11 encontramos a verdade de que o discípulo é aquele que como pequenino ramo repleto de fragilidade caminha para permanecer firme na “videira” e entende a cada dia que somente o trilhar nas palavras de Jesus Cristo produz uma comunhão intima com o Pai. Em que descobrimos os segredos do seu coração e da sua vontade ao ponto de termos as nossas orações respondidas com o gerar de muitos frutos. Isso porque o caminho do discípulo consiste no amadurecimento da consciência que como Deus Pai e Filho se amam, ele também é muito amado e assim busca viver nas pisaduras desse amor eterno e incondicional. É urgente nesses tempos globais vivermos esse caminho no entendimento de que a centralidade da nossa vida está em crescermos no amor de Jesus Cristo através de atos de obediência a sua Palavra eterna que fala ao nosso coração como vida e libertação.

Discípulo um amigo de Jesus Cristo que produz frutos. Nos versículos 12 a 17 a verdade consiste em que o discípulo quando permanece na permanece com um coração obediente na Palavra de Jesus Cristo cresce na consciência de que foi escolhido desde a eternidade para ser um amigo e não escravo. Um amigo que caminha na Palavra de Jesus que é a Lei do Amor, ou seja, o chamado constante a uma conversão de mente e coração para amor em relação aos outros diferentes dele. Não esquecendo que esse amor é a encarnação do mesmo amor que moveu Ele a morrer e ressuscitar pelos seus amigos, sendo assim o ato diário de oferecer a própria vida pelo outro para que assim sua vida seja transformada. Portanto, nesses tempos globais temos que acabar com esses falsos evangelhos e os variados “jesuses” do mercado religioso, pois só produzem religiosos, hipócritas, egoístas, materialistas, infantis, amargurados, desalmados e filhos do diabo que vive para si mesmos. Porque só existe uma possibilidade de conversão que é o caminho do discípulo que a cada dia experimenta uma grande amizade com Jesus Cristo de intensa intimidade que trilha a única Lei divina, do Amor, com um coração que chora a dor do outro e produz muitos frutos para que muitos também vivam esse grande mistério de serem amados por Deus de graça e oferecerem a vida pelo próximo por gratidão.


Cleófas Júnior

O discípulo e o coração sábio - Lucas 6.39-45


O discípulo, não sendo “um cego que guia outro cego” e a semelhança do Mestre (vers. 39-40). Nessa Escritura Jesus Cristo nos conduz a pensar através de uma história a verdade de que o discípulo constrói sua vida a semelhança do Mestre e não perde tempo como “cego” ao enxergando somente a vida dos outros com julgamentos de condenação. Para discutir mais isso acesse o link a seguir que apresenta a música Por Falar em Línguas: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/o-discipulo-nao-sendo-um-cego-que-guia.html.



O discípulo enxerga a si mesmo com mais autenticidade e não tem medo de tratar das contradições do seu ser (vers. 41-42). Com base na mesma história Jesus Cristo ensina a verdade de que o discípulo aprende com seu Mestre a olhar para si mesmo com muita transparência em meio às contradições do seu coração e não dos outros. Para conversar melhor sobre isso, acesse o link a seguir com a música Coração: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/o-discipulo-enxerga-si-mesmo-com-mais.html.


O discípulo, o “bom tesouro do coração” e o “mau tesouro do coração” (vers. 43-45). Com outra história Jesus Cristo ensina a verdade de que o discípulo tem a vocação de ser transformada a cada dia em uma pessoa boa que produz bondade para todos, porque tem um “bom tesouro no coração”. Acesse o link a seguir com uma mensagem sobre A boca fala do que está cheio no coração: http://cleofasjunior.blogspot.com/2010/05/o-discipulo-o-bom-tesouro-do-coracao-e.html.


Cleófas Júnior

Igreja, gente boa de Deus cheia de misericórdia - I Pedro 2.1-10


Igreja, gente livre do mal e o desejo constante pelo “puro leite espiritual”. O apóstolo Pedro nos versículos de 1 a 3 compartilha a verdade fundamental de que todo discípulo de Jesus Cristo constrói todo ser não mais na escravidão gerada pela maldade, engano, hipocrisia e inveja. Mas sim caminha a cada dia na liberdade proporcionada pelo coração amoroso de Deus, o Pai, revelado na encarnação de Jesus Cristo em nosso mundo tão contraditório. Portanto, reflitamos um pouco na necessidade urgente de todo discípulo cultiva o desejo constante pelo “puro leite espiritual” que representa a simplicidade da boa nova de Deus revelada em Jesus Cristo nos valores do evangelho do Reino de Deus e promove em nós crescimento na consciência de sermos amigos de Deus.

Igreja, gente que vive como casa de Deus e confia em Jesus Cristo, a “Pedra Viva”. O apóstolo Pedro nos versículos de 4 a 8 ensina a verdade de que temos um chamado divino sendo proclamado diariamente para que nos acheguemos a Jesus Cristo que a “Palavra de Deus” e a “Pedra Viva” que foi rejeitada pela humanidade. Mas nós somos transformados por Ele em gente que vive como “pedras vivas” na construção diária da casa de Deus em que todos são ministros diante de Deus. Portanto, pensamos bem que ser igreja é reconhecer e atender esse chamado de confiarmos plenamente em Jesus Cristo, a “Pedra Viva e Preciosa”, que nos torna a cada dia morada divina e não esqueçamos que somente Ele tem o poder de construir em nós o Reino de Deus, para os que rejeitam o enxergam como “pedra de tropeço e de queda”.

Igreja, gente de Deus transformada pela luz e cheia de misericórdia. Pedro nos versículos 9 e 10 compartilha a grande radicalidade e mistério de que em o Evangelho de Jesus Cristo gera a consciência de que somos “geração eleita, sacerdócio real e povo de propriedade exclusiva de Deus”. O interessante é que agora aprendemos a ser gente de Deus com a missão de em todo tempo e lugar de proclamar através da encarnação a plenitude da “maravilhosa luz” como também a misericórdia de Deus que preenche todo nosso ser. Por isso, meditemos realmente naquilo que Jesus Cristo nos ensina que ser Igreja é sermos transformados em gente boa de Deus com um coração cheio de misericórdia que vai abraçar as pessoas como Ele fez e se oferecendo como sacrifício de amor para que outros também sejam gente dEle. E não sejamos ingênuos em aceitarmos essas “igrejinhas de jesuses” do século XXI que tripudiam o Evangelho e só produzem pessoas “adoecidas”.


Cleófas Júnior

O Evangelho, “Caminho da Luz” e o Caminho da Vida


Em tempos globais não podemos nos esquecer de que somos chamados para seguir o “caminho da luz” no sentido de crescermos na consciência de que Jesus Cristo é a Palavra de Deus (ou Verbo da Vida). Em que lhe ouvimos, contemplamos com os olhos e tocamos com as nossas mãos, porque Jesus Cristo nos conduz a vida eterna.


Seguir o “caminho da luz” na perspectiva do Evangelho consiste em reconhecermos que Deus é luz e não vive em trevas, assim somos transformados para vivermos em comunhão com Ele. Ou seja, construindo nossa vida em um constante relacionamento de amor na existência dos outros que são diferentes. Para assim crescermos em companheirismo, amizade e desejo de que outros sejam abraçados pela graça divina.


Tal comunhão com Deus e os outros representa também que cultivamos a confiança de que através do sangue de Jesus Cristo derramado em sua crucificação, encontramos purificação para nossos pecados. Nesse caminho não fugimos da realidade de que somos pessoas frágeis, transitórias, contraditórias, finitude e cheias de contingências.


Em outras palavras, reconhecemos o quanto produzimos nosso viver no fundamento do pecado e assim não podemos esconder essa realidade, mas o “caminho da luz” que é Jesus Cristo nos ensina a confessarmos as nossas atitudes de maldade para que assim Ele nos liberte de toda injustiça que habita em nós para destruir toda boa dádiva divina.


Cleófas Júnior

O poder do Espírito produz perdão e vida


Uma das questões que mais se fala hoje nas igrejas evangélicas é a de que no Brasil vivemos o maior “avivamento espiritual” da nossa história, para este grupo necessitamos apenas olhar os resultados ao nosso redor: o crescimento numérico dos “evangélicos”, o grande número de templos nas cidades, uma maior manifestação política e econômica, os milagres, os prodígios e os “dons” do Espírito. Assim o discurso desse grupo é marcado pelo triunfalismo com a idéia de que vamos salvar o mundo com uma instituição cada vez mais forte e poderosa.


Em paralelo, encontramos outro grupo que pensa diferente com o discurso de que não vivemos um “avivamento” e sim uma grande crise em todas as dimensões que formam nossas comunidades. Nisso dizem que devemos observar melhor todas essas transformações nas igrejas no Brasil, porque vivemos uma crise ética, de santidade e repleta de divisões. Assim concluem sobre a necessidade de um retorno ao evangelho de Jesus Cristo e de construção de uma comunidade que seja forte na sua fidelidade a vontade de Deus na idéia de que devemos retornar as “tradições religiosas”, nisso suas leituras são marcadas pelo um grande pessimismo.
No entanto, é importante buscarmos uma resposta que transcende a esses dois grupos porque são leituras que nos afastam realmente do único caminho puro, simples e abrangente do Evangelho de Jesus Cristo. Assim esse caminho consiste em cada dia construirmos a nossa vida no poder do Espírito Santo, oferecido como presente de Deus, para que assim vivamos em nova vida.

Portanto, o caminho é vivermos no poder do Espírito Santo que nos liberta de toda maldade no coração e amargura, produzindo vida em abundância, ou seja, um viver cheio de amor e de graça por todos. O poder do Espírito produz em nós disposição para ouvir a voz de Deus em obediência, confiança na soberania divina, coração de servo, meigo, amigo, companheiro e com a coragem de viver a Palavra de Deus em todas as circunstâncias.


Cleófas Júnior

Deus revela em seu amor que ninguém deve ser considerado “impuro” e “insignificante”


As religiões educam os seus fiéis a cultivarem em si uma perspectiva de que porque obedecem as normas, leis e estatutos estabelecidos como “divinos” em seu grupo, estão assim numa situação de superioridade “moral” e “espiritual” em relação aos outros que não seguem a mesma cartilha. Junto com essa perspectiva produzem uma imagem dos outros como “impuros”, “devassos” e “insignificantes”, esses outros em alguns momentos referem-se a pessoas e em outros a grupos (mulheres, negros, homossexuais, indígenas, pobres).


Nisso os discursos e práticas dos religiosos são de um Deus que revela o seu amor apenas para os merecedores através das suas obras de obediência “cega” as normas criadas por eles mesmos, como também de condenação aos “impuros” e “insignificantes”. Tem a ousadia de afirmarem de que não podem se relacionar com tais pessoas, grupos e povos porque pertencem ao “diabo”.


Infelizmente, nós não estamos insetos desse vírus destruidor e infernal produzido pelo caminho dos religiosos, com o decorrer dos anos confundimos o caminho simples do Evangelho de Jesus Cristo que somente produz vida em abundância sobre todos. Nisso escolhemos o caminho que se alimenta de pensamentos “maus” sobre os outros e vive a procura de “pecados” criados por nós mesmos para assim levarmos esses aos nossos tribunais “santos” em que nos achamos com o poder de classificar os que “puros” e “impuros”, “santos” e ‘profanos”, “dignos” e “indignos”.


Portanto, temos uma necessidade urgente de ouvirmos a Palavra de Deus em nosso coração com a verdade simples de que em Jesus Deus revela o seu amor, que promove uma transformação na consciência para que enxerguemos os outros com graça e vida. Uma consciência que cresce a cada dia em nós de que para Deus todos os povos e pessoas são amados de forma incondicional, por isso devemos romper os nossos reducionismos para olharmos a “pureza” e a “dignidade” de todos.

Cleófas Júnior

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Uma Fé Constante e o Evangelho de Jesus Cristo


É muito importante nesses tempos globais de pluralismos, de mercantilização da vida e multiplicação das crenças, repensarmos em nosso coração que o caminho do Evangelho de Jesus Cristo consiste em um chamado a construirmos a vida na fé em Deus.


Na Escritura de I Tessalonicenses 1 apreendemos a fé que o Evangelho de Jesus Cristo produz a cada dia em nós, em que o apostólo Paulo agradecia a Deus em suas orações em todo tempo pela vida dos seus irmãos amados da cidade de Tessalônica no primeiro século, porque estes viviam em fé marcada pelo amor sacrificial e de uma esperança firme em Jesus Cristo como Senhor.


O Evangelho nos impulsiona a fé em Deus regada por amor e esperança na vida que encontra sentido no chão desse mundo através de uma confiança em Jesus Cristo, isto porque não podemos nos afastar do caminho do Evangelho como manifestar cotidiano do Espírito Santo em nós e assim nos afastamos dos reducionismos das crenças construídas por nossos discursos humanos que apenas nos aprisionam em ilusões de personagens que criamos para seguir a média exigida pela sociedade que estamos circunstaciados.


A fé do Evangelho também nos conduz a um caminho de transformação em que a nossa "fome" e "sede" do coração consiste tão somente no torna-se e fazer-se diário da presença de Jesus Cristo em todo nosso ser, através de caminhar marcado por sua palavra amorosa e libertadora, mesmo no contexto das contradições e dores desse mundo. Mas que vivenciamos na perspectiva da alegria e contentamento do Espírito Santo que não representa um movimento de conformação aos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais em que fomos educados para reproduzir em suas normas, ao contrário, um constante renascer divino para um viver de amor, graça, perdão e esperança.


O Evangelho produz um movimento de grande revolução divina nesse nosso mundo, como com os discípulos de Tessalônica, que viveram na perspectiva da palavra libertadora de Jesus Cristo, a partir disto novas histórias foram escritas na região da antiga Macedônia e Acaia, por causa da fé desses caminhantes do evangelho de Jesus. Tratamos aqui de uma revolução que resulta uma constante conversão no sentido de uma transformação de todo o nosso ser, em que quebramos e rompemos com os ídolos que fabricamos em nosso coração como coisas no qual manipulamos conforme os nossos interesses e encontrarmos uma "boa" sorte na vida. Para assim, vivermos no chão do cotidiano através de uma consciência nova de sevirmos ao Deus vivo e verdadeiro, que rescussitou Jesus Cristo entre os mortos, nisso caminhamos a cada dia livres das nossas crenças de opressão e fuga da vida.


A fé do Evangelho de Jesus é um chamamento para cada um reconstruir e reinventar a sua identidade na perspectiva do Deus vivo e verdadeiro que no seu amor incondicional produz nova vida. Como também a esperança de um novo céu e nova terra, não alimentamos mais o espírito de morte desse nosso mundo e não nos escodemos em nossas crenças, mas em liberdade temos a fé simples em que confiamos em Deus toda a nossa vida.


Um abraço, Cleófas Júnior