sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
AS NARRATIVAS DA MEMÓRIA DE MULHERES NO PROTESTANTISMO DE CAMPINA GRANDE - PARAÍBA

O nosso trabalho tem o objetivo de analisar as representações construídas nas narrativas da memória de duas mulheres idosas que começaram a participar da igreja congregacional entre as décadas de 1930 a 1960 desde a infância ou juventude. Através das entrevistas em que narraram suas vidas para pensarmos as imagens de suas práticas femininas e das outras fossem como “transgressoras” ou “obedientes” das normas congregacionais no âmbito da fé, das relações amorosas, da estética e dos divertimentos. Essas nos possibilitaram melhor conhecermos o espaço das mulheres que questionaram e desrespeitaram os códigos de condutas quebrando as normas elaboradas pela igreja congregacional. Nisso esses traços das memórias femininas congregacionais são pensadas como formas de dizer o mundo, de olhar o real, em discursos que discorrem, descrevem, explicam, interpretam e atribuem significados à realidade.
Para ler o artigo na íntegra e baixar gratitamente, com isso pensando a história do protestantismo a partir de novos sujeitos, problemas e fontes, acesse o seguinte link:http://www.encontro2010.historiaoral.org.br/resources/anais/2/1270392958_ARQUIVO_TRABALHOCOMPLETO-XENCONTRONACIONALDEHISTORIAORAL.pdf.
Cleófas Júnior
AS MULHERES E RELAÇÕES DE GÊNERO NO PROTESTANTISMO: O CASO DA IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CAMPINA GRANDE

O Protestantismo no Brasil foi se constituindo através de vários caminhos, um desses consistiu na comunidade congregacional, estabelecida pelo casal de missionários Robert Reid Kalley e Sarah Pouth Kalley na segunda metade do século XIX na cidade do Rio de Janeiro. Desta comunidade foram formadas outras em diferentes cidades do Brasil, como no começo do século XX na cidade de Campina Grande, que neste ano de 2008 completará 88 anos de fundação como a primeira comunidade protestante da cidade.

O nosso artigo tem o objetivo de analisar o espaço construído para as mulheres no discurso protestante da primeira comunidade congregacional nos anos de 1930 a 1940, pensando também como as mulheres reinventaram esse discurso. Buscando desenvolver essa análise a partir do referencial quanto aos discursos de verdades que produzem um regime de poder que se articula em todas as instituições da nossa sociedade.
O artigo é formado por três partes: na primeira, discutimos o discurso protestante e o feminino na comunidade congregacional no Brasil, através dos missionários fundadores da comunidade Robert e Sarah Kalley. Na segunda parte, analisamos o discurso protestante da comunidade congregacional em Campina Grande em relação ao contexto social da cidade na década de 30 e 40 do século XX, destacando os casos de transgressão e disciplina apresentados nas atas das assembléias da comunidade, pensando como esse discurso do feminino produziu uma ordem disciplinar nas mulheres em sua vivência do sagrado. E na terceira parte, pensamos como as mulheres reinventaram esse discurso de verdade e disciplina sobre o feminino, resultando na produção de outra identidade feminina religiosa.
O artigo é formado por três partes: na primeira, discutimos o discurso protestante e o feminino na comunidade congregacional no Brasil, através dos missionários fundadores da comunidade Robert e Sarah Kalley. Na segunda parte, analisamos o discurso protestante da comunidade congregacional em Campina Grande em relação ao contexto social da cidade na década de 30 e 40 do século XX, destacando os casos de transgressão e disciplina apresentados nas atas das assembléias da comunidade, pensando como esse discurso do feminino produziu uma ordem disciplinar nas mulheres em sua vivência do sagrado. E na terceira parte, pensamos como as mulheres reinventaram esse discurso de verdade e disciplina sobre o feminino, resultando na produção de outra identidade feminina religiosa.
Para ler o artigo na íntegra e baixar gratuitamente, acesse o link a seguir: http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/view/9301.
Cleófas Júnior
A INSERÇÃO DO DISCURSO PROTESTANTE EM CAMPINA GRANDE (1901-1930): UMA INTRODUÇÃO

Primeiro Templo da Igreja Evangélica Congregacional de Campina Grande
A inserção do discurso protestante em Campina Grande consistiu num processo complexo e conflituoso a partir de 1901 com o estabelecimento da primeira comunidade protestante, no caso a comunidade evangélica congregacional. Esse processo foi conflituoso porque é resultante de um projeto informal de evangelização que visava produzir a conversão dos campinenses na busca de um rompimento com os valores da cultura católica no qual detinha o monopólio da cultura histórica religiosa da cidade. Havendo assim neste período a inserção de outro discurso religioso nas malhas do contexto político, econômico e social da cidade, propondo outra identidade religiosa. Torna-se complexa porque dispomos de fragmentos incompletos deixados por nossas poucas fontes documentais para assim pensarmos essa inserção.

Neste artigo o nosso objetivo é fazer uma análise introdutória da inserção desse discurso protestante em Campina Grande entre 1901 a 1930 no caso da comunidade evangélica congregacional, a partir da perspectiva teórica de cultura histórica religiosa cunhada nas propostas de pensar a cultura e a religião em Raymond Williams, E. P. Thompson e Christopher Hill. No primeiro momento pensamos sobre uma cultura histórica religiosa com a história social inglesa da cultura, quando olhamos na produção de alguns intelectuais memorialistas quanto à religião em Campina Grande. No segundo momento pensamos a inserção do discurso protestante a partir da observação dos fragmentos documentais encontrados até agora como: a produção memorialista sobre a comunidade congregacional em Campina Grande, as pregações de um pastor do período e uma ata das assembléias da comunidade quanto ao seu Regimento Interno, dentro de um contexto de cultura histórica religiosa da cidade.
Para ler o artigo na íntegra e conhecer melhor a história do protestantismo na Paraíba, aesse o seguinte link: http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/textos/ST%2014%20-%20Cle%C3%B3fas%20Lima%20Alves%20de%20Freitas%20J%C3%BAnior%20TC.PDF.
Cleófas Júnior
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