quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A NECESSIDADE DE OUVIR CRISTO EM NOSSO CORAÇÃO NO COTIDIANO - Lucas 10.38-42



Na sociedade contemporânea nós conduzimos nossa existência através de um cotidiano muito ocupado com muitas atividades, nisto nós damos muita importância em ouvir no nosso coração às mensagens trabalhadas pelos meios de comunicações (televisão, rádio e internet). Essa realidade muitas vezes nos impede de darmos uma atenção maior a grande necessidade de ouvir a mensagem de Cristo em nosso coração diariamente, considero importante olharmos para esta necessidade a partir de alguns aspectos da Escritura Sagrada em Lucas 10.38-42 com a narrativa da visita de Cristo a casa de Maria e Marta.


A atitude de Marta em hospedar Jesus Cristo em sua casa (ver. 38). Olhemos com profundo respeito à atitude de Marta, uma mulher que tinha como condição normativa viver marginalizada na sociedade judaica ocupando tão somente o ambiente domesticado, rompeu com isto ao receber e hospedar a Jesus Cristo em sua casa. Essa atitude represente dedicação, reverência e fé de Marta para com Cristo, que devia ser o Senhor do seu cotidiano. Aprendemos que devemos partilhar da mesma, recebendo a Jesus Cristo em nossa casa, que representa a nosso viver diário. Fazendo de Cristo o maior hóspede da nossa vida, recebendo-o com reverência, fé e dedicação. Permitindo a cada momento ser dominado pela eterna graça e misericórdia de Deus, em Cristo.


A atitude de Maria em ouvir Jesus Cristo, assentada aos seus pés (ver. 39). A atitude de Maria, irmã de Marta, ao ter Jesus Cristo como hóspede em sua casa. Maria desde que Cristo tinha chegado teve a atitude única de assentar aos pés dEle em sinal de reverência, respeito e adoração ainda maior, para ouvir as suas preciosas mensagens porque as considerava de suma importância para o seu bem viver. Entendemos que esta atitude de Maria nos ensina hoje, que em nosso cotidiano ocupado temos que desenvolver a atitude diária de nos prostarmos aos pés de Cristo para ouvir em nosso coração os seus ensinamentos, que são os valores eternos do Reino de Deus.


A atitude de Marta em não ouvir Jesus Cristo por causa do trabalho diário (vers. 40-42). Marta teve a atitude bela de hospedar Cristo em sua casa, mas durante a sua estadia, ela não priorizou ouvir as mensagens dEle porque estava envolvida intensamente em seu trabalho diário de preparar a casa para os visitantes, resultando em muita agitação. O coração de Marta não estava atento para as palavras de Cristo, mas para o seu trabalho e assim se esqueceu da sua maior necessidade e que lhe conduziria ao caminho da liberdade. Podemos entender esta atitude de Marta como uma realidade que estamos sujeitos a viver: a atitude de em nosso cotidiano não ouvirmos a Cristo no coração com sua mensagem libertadora que nos conduzem ao caminho da liberdade integral. Isto por causa de nosso cotidiano de trabalho diário para satisfação dos nossos interesses.


Portanto, busquemos a cada dia satisfazer essa nossa necessidade de ouvir a mensagem libertadora de Cristo em nosso coração em nossa vida diária, no âmbito da família, do trabalho, do estudo e nas reuniões das nossas igrejas. Na dependência tão somente da graça iluminadora do Espírito Santo na prática da oração e leitura bíblica para assim crescermos na bem-aventurança do Reino de Deus.

Cleófas Júnior

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Globalização e a Supremacia do Ter - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)

Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia,não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu,mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou coisa, coisamente.



A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a Privação das Subjetividades - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)


Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente0.
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espalhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco de roupa
resumia uma estética?


A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a Homogenização da Vida - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)


Meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim - mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua alma humana,invencível condição.



A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

Globalização e a "Coisificação" da Vida - na pena de Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA (Fragmentos)

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... Estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha tolha de banho e sabonete,


A Palavra Mágica (Poesia), 1997.

A Palavra de Deus produz paz e liberta de todo medo - João 14.26-28


26 Mas o Advogado, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu Nome, esse vos ensinará todas as verdades e vos fará embrar tudo o que Eu vos disse.


27 Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.


28 Vós ouvistes o que Eu disse: ‘vou, mas retorno para vós.’ Se me amásseis, ficaríeis alegres com o fato de que Eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que Eu.



No entanto, quando o cidadão se percebe assim, tendo Deus – em Sua misericórdia – permitido que ele caísse em si e, finalmente, olhasse para dentro, então o que acontece é que ele não se reconhece, e se assusta, se escandaliza, se choca, se culpa, se penitencia! Não sabe porque “depois de tanto tempo de evangelho” o que habita seu interior são as mesmas raivas, angústias e escravidões de outrora, mas agora travestidas de ‘santidade exterior‘; existem os mesmos bichos vociferando rancores e preconceitos, só que agora legitimados pela interpretação adaptada da Bíblia, que nos dá a entender que somos seres superiores, triunfalistas, uma raça cheia de méritos em ser santa, um povo que se “acha!” por ser designado de propriedade exclusiva de Deus, sem qualquer compreensão que, em havendo tal eleição, ela é fruto de pura Graça, é anterior a nós mesmos, sendo anterior a qualquer coisa que tenhamos feito ou deixado de fazer, é anterior, inclusive, ao nosso próprio nascimento. Aliás, essa coisa toda é desígnio de Deus desde antes da fundação do mundo, quando o Cordeiro foi imolado para redenção de todo ser criado.


Caio Fábio. O Caminho da Graça Para Todos. p. 7

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ouvir, aprender e obedecer por gratidão a Palavra do Pai em Jesus Cristo e Espírito Santo - João 14.21-24


21 Aquele que tem os meus mandamentos e obedece a eles, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me
revelarei a ele.”

22 Então, perguntou-lhe Judas (não o Iscariotes): “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”.

23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, obedecerá à minha Palavra; e meu Pai o amará, e nós viremos até ele e faremos nele nosso lar.

24 Quem não me ama não obedece às minhas palavras; e a Palavra que vós estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou.


O que os cristãos precisam saber é que não há melhor lugar para conhecer nossa própria verdade, senão no solo seguro da Graça de Deus, onde não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus! Há somente aceitação e renovação! Primeiro se percebe tal qual se é; depois o Espírito promove seus frutos em nós, enchendo a vida de paz, alegria e amor.

Mas, paradoxalmente, os crentes têm medo de se enxergar como gente. Desse ponto em diante, a maioria dos cristãos confunde descanso e pacificação com vagabundagem existencial. Crescer em entendimento e experiência da Graça de Deus na presente existência, demanda de nós esforço, compromisso, e busca disciplinada de desenvolvimento interior, e que é fruto de auto-exame, e de auto-discernimento, tarefa que seria insuportável sem um coração pacificado pela Graça.

Caio Fábio. O Caminho da Graça para Todos. p. 6